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COMUNICADO À IMPRENSA: 06/0007

Sob embargo até as 00:01 GMT de Terça-Feira, 17 de Janeiro de 2006

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Mercados Emergentes Terão Ótimo Ano em 2006:
IFC registra progressos, mas alerta para os desafios que o desenvolvimento ainda enfrenta

Capitalização das bolsas emergentes poderá ultrapassar US$ 5 trilhões pela primeira vez na história   


Washington D.C., 17 de janeiro de 2006—O ano que se inicia promete ser excelente para os mercados emergentes, mas ainda terão de ser enfrentados grandes desafios relativos à estabilidade macroeconômica, governança corporativa e problemas ambientais e sociais, de acordo com a Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial para o desenvolvimento do setor privado. O IFC comemora seu 50 aniversário em 2006.

 “Os mercados emergentes como grupo provaram a sua capacidade de sustentar altas taxas de crescimento e atrair capitais. O seu dinamismo é enorme. Porém, o crescimento não é uniforme e há uma agenda inacabada muito grande,” disse Lars Thunell, vice-presidente executivo do IFC. 

Thunell observou que o fluxo de capitais privados para os países em desenvolvimento já soma cerca de US$ 350 bilhões, mais de quatro vezes o volume de ajuda internacional. Mas a comunidade do desenvolvimento, frisou, precisa recorrer muito mais ao emprego de soluções de mercado para reduzir a pobreza, atender às necessidades sociais e preservar o meio-ambiente em todo o mundo. 

“Um número cada vez maior de organismos de desenvolvimento e ajuda – bancos multilaterais, fundações e entidade sem fins lucrativos – está aderindo ao empreendedorismo como motor principal do desenvolvimento, procurando meios de aproveitar melhor o poderio do capital privado, da livre iniciativa e do empreendedorismo social para fomentar as mudanças necessárias,” disse Thunell. “É evidente que o IFC, com 50 anos de experiência nessa área, pode desempenhar um papel ainda maior.” 

“Precisamos ampliar e aprofundar esse crescimento econômico para atingir uma proporção maior dos pobres, sobretudo em países onde o ambiente de investimento ainda impõe barreiras que aprisionam os pequenos empreendedores e as mulheres na economia informal,” acrescentou.  

O IFC, que foi fundado para promover o crescimento do setor privado nos países em desenvolvimento e cunhou a expressão “mercados emergentes” no início dos anos 80, realçou a convergência de várias tendências neste momento histórico:

    • As taxas de crescimento macroeconômicas dos países em desenvolvimento continuam a ser aproximadamente o dobro das taxas dos países desenvolvidos.
    • Os fluxos internacionais de capital para mercados emergentes – investimento direto estrangeiro, fluxos de capital acionário e empréstimos bancários comerciais – aproximam-se do pico histórico observado há uma década.
    • Os fundos de ações especializados em mercados emergentes relatam os influxos mais altos de todos os tempos e é provável que o crescente interesse dos investidores institucionais eleve a capitalização das bolsas emergentes a mais de US$ 5 trilhões pela primeira vez na história.
    • tamanho dos fundos mútuos para mercados emergentes, medido em ativos ou como porcentagem do PIB dos mercados emergentes, é mais que o dobro do nível registrado em 1997.
 “Precisamos reforçar a estabilidade dos mercados e fluxos de capitais existentes no mundo em desenvolvimento através da consolidação das instituições financeiras em cada país e do aprofundamento dos mercados cambiais locais,” disse Thunell. “Temos de melhorar a governança corporativa, para que uma proporção cada vez maior das novas empresas que geram emprego possa captar recursos na economia global.”

O papel do IFC nos mercados emergentes vem evoluindo de uma atuação pioneira no investimento estrangeiro direto para a criação dos primeiros fundos de ações para países em desenvolvimento, o lançamento de produtos mais avançados e iniciativas como a emissão de títulos de dívida em moeda local, operações de securitização e créditos de carbono. Em dezembro de 2005, por exemplo, o IFC ajudou a lançar o primeiro índice de ações de empresas ambientalmente responsáveis da América Latina. Desde 2003, muitos grandes bancos comerciais adotaram as normas ambientais e sociais do IFC, conhecidas como Princípios do Equador, como marco de referência para a aprovação de créditos no segmento de project finance.

Atualmente o IFC é o maior fornecedor multilateral de recursos financeiros para o mundo em desenvolvimento, nas modalidades de empréstimos, investimentos em ações, gestão de riscos e produtos financeiros estruturados. Além disso, o IFC serve de catalisador e laboratório para soluções inovadoras de mercado que visam reduzir a pobreza e resolver problemas ambientais e sociais. Desde sua fundação em 1956, o IFC comprometeu mais de US$ 49 bilhões em recursos próprios e angariou US$ 24 bilhões em empréstimos sindicalizados para 3.319 empresas em 140 países em desenvolvimento. Só no ano fiscal de 2005, a carteira de recursos consignados do IFC atingiu US$ 19,3 bilhões por conta própria e US$ 5,3 bilhões detidos para participantes em operações sindicalizadas de crédito bancário.

“Quando trabalhei no IFC, criando o termo ‘mercados emergentes’ em 1981, praticamente não havia investimento estrangeiro nas ações de empresas dos mercados emergentes,” disse Antoine van Agtmael, fundador e presidente da Emerging Markets Management. “A nossa idéia foi dar um nome mais positivo ao que originalmente tinha sido chamado de ‘Fundo do Terceiro Mundo’. Hoje o setor privado desses países oferece enorme potencial tanto para investidores de mercado, quanto para entidades de desenvolvimento engajados no combate à pobreza.”  

Ampliação da participação econômica

A taxa de crescimento prevista para os países em desenvolvimento em 2006 é de 5,5 a 5,9 por cento. Entretanto, tal crescimento vigoroso oculta significativo potencial não aproveitado. O tamanho da economia “informal” – não regulada, não tributada, não coberta pelo censo – é enorme em todos esses países, correspondendo a parcelas da atividade econômica total que variam entre 40 e 80 por cento.

Segundo pesquisas em andamento sob o patrocínio do IFC e do Banco Mundial para o relatório Doing Business, a burocracia e a morosidade processual são importantes inibidores da geração de empregos e do crescimento econômico nos setores formais de muitos países em desenvolvimento. No Brasil, na Indonésia e em Moçambique, por exemplo, o cadastramento e abertura de uma empresa podem levar mais de 150 dias – mais de 10 vezes o tempo necessário nos países avançados. Tais barreiras afetam as mulheres de modo desproporcional. O IFC apóia iniciativas de reforma do ambiente de investimento baseadas nas pesquisas do Doing Business em mais de 20 países em desenvolvimento. (Para mais informações, visite o site www.doingbusiness.org.)

O IFC vem enfatizando o aumento de sua atividade de investimento nos países africanos ao sul do Saara, cujos economias têm alguns dos maiores setores informais. Os investimentos anuais do IFC na África cresceram 77 por cento nos últimos três anos, atingindo US$ 445 milhões no ano fiscal mais recente.

Além disso, para atender aos empreendedores da economia informal e ao setor de pequenas e médias empresas, o IFC aumentou dramaticamente sua carteira de microfinanças nos últimos anos. Atualmente essa carteira soma mais de US$ 320 milhões, com 69 projetos em 43 países. As empresas de microfinanças em que o IFC investe atendem a cerca de 1,3 milhão de tomadores em países de baixa renda. No início deste mês, a unidade Mercados de Empreendedorismo de Gênero do IFC anunciou nova iniciativa de pesquisa para identificar as barreiras enfrentadas pelas mulheres em seus esforços de obter financiamentos.  

Mercado de capitais, setor financeiro e governança corporativa  

Para incentivar o crescimento e fomentar maior estabilidade nos mercados emergentes, o IFC vem assumindo um papel de liderança no aprofundamento e diversificação do mercado de capitais dos países em desenvolvimento, introduzindo títulos de dívida em moeda local, operações de securitização e a oferta de derivativos, tais como garantias parciais de crédito. O financiamento de longo prazo em moeda local permite às empresas dos mercados emergentes financiar seu crescimento sem correr o risco cambial associado com o financiamento denominado em dólares.

No ano passado, por exemplo, o IFC foi o primeiro organismo multilateral a lançar na China o chamado “Bônus Panda”, emissão denominada em moeda local no valor de 1,13 bilhões de renminbi, equivalente a de US$ 140 milhões, no mercado doméstico não governamental. A emissão marcou a primeira abertura do mercado chinês de renda fixa em renminbi para as instituições financeiras internacionais. Além disso, recentemente o IFC concluiu a primeira securitização de mensalidades de cursos de graduação no Chile, numa transação no valor de US$ 23 milhões para a Universidad Diego Portales, fornecendo ainda uma garantia parcial de crédito no valor de US$ 6,9 milhões.

Mais de um terço da carteira de investimentos do IFC é dedicado ao reforço e à diversificação do setor financeiro – bancos, empresas de leasing e crédito imobiliário – nos países em desenvolvimento. No ano passado, o IFC alimentou a expansão de moradias a preços acessíveis para famílias de baixa renda no México ao fornecer mais de US$ 110 milhões em financiamentos para apoiar as operações hipotecárias da GMAC Financiera. Além disso, o IFC está prestando assistência técnica a mais de 125 projetos de mercados financeiros em mais de 60 países em desenvolvimento.

Para melhorar a governança corporativa, o IFC trabalha diretamente com empresas clientes em mais de 80 países em desenvolvimento de modo a aprimorar as práticas adotadas pelos conselhos de administração, reforçar os direitos dos acionistas minoritários e assegurar controles internos rigorosos, transparência e ampla divulgação de informações. Tais reformas agregam valor para os acionistas, reduzem o custo do capital e melhoram o desempenho de longo prazo.

O IFC já investiu diretamente no capital acionário de cerca de 670 empresas nos mercados emergentes e ajudou muitas empresas bem-sucedidas a crescer ao ponto de se tornarem players regionais ou globais excelentes hoje em dia. Como acionista minoritário, o IFC também enfatiza a governança corporativa e desempenha um papel ativo em muitos conselhos de administração em prol do aprimoramento dos padrões de governança.

“A experiência do IFC demonstra que as empresas capazes de crescer até se tornarem players regionais ou globais atraentes e de operar com elevados padrões de governança corporativa são candidatos excelentes ao investimento em suas ações, gerando não só rentabilidade mas também um forte impacto no desenvolvimento,” disse Haydee Celaya, Diretora para Fundos de Investimento e Capital de Risco. 

Combate aos problemas ambientais e sociais através de políticas e investimentos em projetos 

As normas ambientais e sociais do IFC para a aprovação de créditos no segmento de project finance vêm sendo adotadas como marco global de referência por grandes bancos comerciais ao redor do mundo, através da adesão aos Princípios do Equador. O IFC pretende apresentar o novo conjunto mais forte de diretrizes relativas ao desempenho ambiental e social para a aprovação de seu Conselho de Administração no decorrer deste ano.

O IFC, junto com sua instituição irmã o Banco Mundial, comprometeu-se a incrementar sua carteira de investimentos em energia renovável e eficiência energética nos países em desenvolvimento a uma taxa anual média de 20 por cento entre 2005 e 2010. No início deste mês, por exemplo, o IFC anunciou a aquisição de participação acionária no valor de US$ 5,5 milhões na Enerbrasil - Energias Renováveis do Brasil Ltda., para apoiar a construção, operação e manutenção de um parque de energia eólica de 49,3 megawatts no município de Rio do Fogo.

De modo semelhante, em dezembro o IFC aplicou US$ 3 milhões a fundo perdido nas empresas IST Holdings e Plug Power, que instalarão 400 células de combustível em cidades e localidades remotas da África do Sul no decorrer dos próximos três anos. As células de combustível irão fornecer energia elétrica confiável, substituindo tecnologias poluidoras tais como geradores a óleo diesel.

Além disso, o IFC patrocina várias iniciativas de parceria pública-privada para preservar a biodiversidade e transações que dão acesso ao mercado de créditos de redução de emissões de carbono a empresas sediadas em mercados emergentes.


Sinta-se inteiramente à vontade para contactar Karina Manasseh do IFC no telefone + (202) 473-1729, ou via e-mail (kmanasseh@ifc.org)  para conversar sobre eventos, estudos de caso, pesquisas sobre políticas públicas, normas e especialistas em mercados emergentes do IFC que podem apoiar sua cobertura deste ano histórico para a economia global. Web site: www.ifc.org